Neste livro D. Inês súplica ao rei que a poupe à morte e tenta persuadi-lo mostrando o sofrimento dos filhos que ficarão órfãos. Segundo Garcia de Resende, estas são suas palavras:
“Estes homens d’onde irão?”
E tanto que perguntei,Soube logo que era el-Rei.
Quando vi tão apressado,
meu coração trespassado foi, que nunca mais falei.
E quando vi que descia, Saí à porta da sala;
Devinhando o que queria,
Com grã choro e cortesia Lhe fiz ua triste fala.
Meus filhos pus derredorDe mim, com grã humildade;
Mui cortada de temor,
Lhe disse: “havei, Senhor, Desta triste, piedade!
Não possa mais a paixãoQue o que deveis fazer;
Metei nisso bem a mão, Que é de fraco coração
Sem porquê matar mulher; Quanto mais a mim, que dão
Culpa não sendo razão, Por ser mãe dos inocentes
Que ante vós estão presentes,
Os quais vossa netos são.
E têm tão pouca idade Que, se não forem criados
De mim, só com saudade E sua grã orfandade,
Morrerem desemparados. Olhe bem quanta crueza
Fará nisto Vossa Alteza, E também, Senhor, olhai,
Pois do príncipe sois pai,
Não lhe deis tanta tristeza.
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on terça-feira, 31 de março de 2009
at 3:35 p.m.
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