Poemas para a inocente Inês  

Posted by Alunas do 7ºA da ESAB

Soneto de Inês


Dos olhos corre a água do Mondego
os cabelos parecem os choupais
Inês! Inês! Rainha sem sossego
dum rei que por amor não pode mais.
Amor imenso que também é cego
amor que torna os homens imortais.
Inês! Inês! Distância a que não chego
morta tão cedo por viver demais.
Os teus gestos são verdes os teus braços
são gaivotas poisadas no regaço
dum mar azul turquesa intemporal.
As andorinhas seguem os teus passos
e tu morrendo com os olhos baçosInês! Inês! Inês de Portugal.

José Carlos Ary dos Santos



Inês de Castro


Antes do fim do mundo despertar,
Sem D. Pedro sentir,
E dizer às donzelas que o luar
É o oceano do amado que há-de vir...
E mostrar-lhes que o amor contrariado
Triunfa até da própria sepultura:
O amante, mais terno e apaixonado,
Ergue a noiva caída à sua altura.
E pedir-lhes, depois, fidelidade humana
Ao mito do poeta, à linda Inês...
À eterna Julieta castelhana
Do Romeu português.


Miguel Torga, Poemas Ibéricos~


Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores;
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.

Mísero esposo,
Desata o pranto,
Que o teu encanto
Já não é teu.
Sua alma pura
Nos Céus se encerra;
Triste da Terra,
Porque a perdeu.
Contra a cruenta
Raiva íerina,
Face divina
Não lhe valeu.
Tem roto o seio
Tesoiro oculto,
Bárbaro insulto
Se lhe atreveu.
De dor e espanto
No carro de oiro
O Númen loiro
Desfaleceu.
Aves sinistras
Aqui piaram
Lobos uivaram,
O chão tremeu.

Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores:
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.

Bocage, Cantata à Morte de Inês de Castro

This entry was posted on terça-feira, 31 de março de 2009 at 3:44 p.m. . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

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